Declaração de Artista

O que alguém precisa criar para se sentir cuidado? Se machuca? O que alguém precisa criar para se sentir valorizado? Deixa quebrar? Tiram ou não tais escolhas as responsabilidades de que aquele alguém, para se sentir cuidado, está se quebrando, e de que aquele outro alguém, para se sentir valorizado, está deixando quebrar? De modo que um ciclo se mantenha, que não permita administrar pequenas ações que levem a agendas construtivas, que possam evitar desgastes ou problemas antes que aconteçam, com comunicação simples e clara que favoreça entendimentos e encaminhamentos no tempo de ação que as demandas pedem e precisam?

Nada mais importante para cada um do que comunicar bem com suas comunidades e entregar aquilo que é de sua alçada compartilhar. Para gerar bem estar, dignidade, trabalho, renda, resolucões, e liberar atenção para onde de fato pode-se e deve-se contribuir com evolução. Cultivar: eis a missão do Homem na terra.

Peter Boos

Vila Velha, Janeiro de 2026.


Vivemos num mundo cujo sistema político-econômico dá sinais de falência. Artista brasileiro-alemão (ou alemão-brasileiro, pois possuo ambas as cidadanias), tendo nascido e criado no Espírito Santo, crescido em uma vila de pescadores no município de Aracruz entre a vida da cultura indígena local e da elite corporativa de uma das maiores empresas produtoras de celulose branqueada do mundo, possuindo um histórico de intensa atividade teatral na cidade do Rio de Janeiro (uma cidade essencialmente diversa e desigual), e desenvolvendo o meu trabalho, atualmente, em Berlim (outra cidade com marcas históricas profundas), entendo o meu trabalho criativo como a elaboração de projetos artísticos que deem voz a questões políticas e sociais contemporâneas, sempre buscando trazer reflexão sobre o passado, sobre a construção de identidade, de crenças espirituais e de ideais políticos, de modo a criar, ou ao menos ponderar, outras perspectivas de futuro.

Acredito no desenvolvimento de projetos que pesquisem os limites entre a arte e a vida, na tentativa de criar circunstâncias que coloquem o espectador como corresponsável pela constituição de um novo mundo, inserindo-o, portanto, como parte integrante do trabalho. Me coloco em busca pela criação de novas estruturas produtivas no Brasil, de modo a estabelecer mais oportunidades de trabalhos artísticos continuados que colaborem no desenvolvimento do setor artístico-cultural brasileiro para que se estabeleça uma comunicação cada vez maior e mais eficiente com a sociedade e seus dilemas.

Peter Boos

Berlim, Janeiro de 2015.

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Manifesto on Artists’ Rights
by Tania Bruguera